Segunda-feira, Agosto 29

O Homem Mais Azarado do Mundo

Dizem que todo mundo tem alguma habilidade. Algumas pessoas sabem cantar, outras são boas nos esportes, matemática e por aí vai. Dobervaldo possuía uma rara e estranha habilidade: era o homem mais azarado do mundo. E isso não é apenas força de expressão, o sujeito era azarado mesmo.

Sua mulher o trocou pelo homem que vinha entregar o gás. E isso porque eles tinham gás encanado há mais de dez anos. A filha fugiu com um cara que ele não tinha muita certeza se era homem, as tatuagens e os piercings no rosto tornavam a identificação do suposto rapaz meio complicada. Também havia sido demitido do trabalho. Um dos garotos da expedição usou seu computador para mandar emails com fotos de anões besuntados em óleo fazendo sexo com freiras dinamarquesas. E graças a uma série de eventos bizarros que até hoje não foram devidamente esclarecidos, foi preso sob a acusação de corrupção de menores e por fazer sexo com um poodle macho em uma festa de fim de ano. Dobervaldo era tão azarado que nem estava na tal festa.

Até que um dia ele resolveu terminar com a sua vida. Ia passar a régua, pedir a conta e ir embora. Se existisse um além, esperava que lá não houvessem coisas como sorte ou azar. Subiu no prédio do Banespa e foi até um dos parapeitos do andar mais alto. Respirou fundo, abriu os braços e pulou. Como seu azar não falhava, nem isso conseguiu. Sua queda foi amortecida por uma rede de segurança instalada quando a prefeitura se mudou para lá, e que não havia sido retirada desde que as obras foram embargadas. Não obstante, quicou para dentro de um caminhão de travesseiros, rolou para fora e foi cair em cima de uma senhora gorda que amorteceu o resto da sua queda.

Quando finalmente conseguiu se recobrar, Dobervaldo foi preenchido por uma estranha sensação de paz e tranqüilidade. Não acreditava que havia sido salvo, algo havia mudado. Era muita sorte escapar assim. Talvez não fosse tão azarado quanto pensava. Talvez as coisas fossem melhorar agora. Ficou ali parado, feliz como nunca havia se sentido em toda sua vida. Sorria. A partir de agora iria aproveitar cada minuto de sua vida.

Segundos depois foi atropelado por uma velhinha em um Corcel II que havia esquecido os óculos em casa.

6 comentários:

Quinho disse...

Bem... Morrer feliz é uma sorte.

Maria Marta disse...

Sabia que ia acontecer alguma coisa no final. E tem outra coisa, com esse nome não se poderia esperar muito coisa. Hehehe...

Tércio disse...

Nenhum ser vivo merece morrer atropelado por um Corcel II.
Qdo pressentir que vai morrer, a melhor cosia a fazer é se atirar na frente de um Audi ou BMW, pois na melhor das hipoteses vc vai incriminar um pagodeiro.

Muta disse...

Haahaahaa, animal Dan!

Me matei de rir, especialmente no momento da traição da mulher com o entregador de gás... SEndo que tinham o mesmo encanado - o gás, não o entregador - há 10 anos.

Hahaha

Anônimo disse...

Achei sem graça. Tem gente que confunde criatividade com um estilo totalmente clichê de se escrever.

Pena.

Dan disse...

Meu primeiro fã... Snif. Que emoção!