As Melhores Entrevistas da História do Showbizz - Ecos Falsos

Gustavo Martins [canto inferior esquerdo], jornalista e vocalista da banda, se auto-entrevista, neste inédito exercício de auto-crítica, auto-modéstia e auto-teorias sobre o (in)sucesso
Sua banda não se incomoda que você responda sozinho em nome deles?
Ué, achei que você só tivesse me chamado...
Era um convite para os Ecos Falsos, ficava a seu cargo decidir quem viria.
Puxa, então digamos que eles não se incomodam. Você deve estar com pressa de fechar esse texto, né? Eles vão entender.
Certo. Se a Internet permite que a boa música se propague sem parar, o fato do Ecos Falsos ainda não ser um sucesso só pode ser um mau sinal, não?
Bem, acho que... não. Talvez não tenhamos feito todos os contatos certos pra nos promover, sei lá. Mas não posso culpar fatores externos, de repente a gente só não chegou ainda no ponto em que essa propagação espontânea estoura o gráfico. Talvez pelo fato de não termos muitas músicas disponíveis, talvez por elas ainda não terem o "gancho" pra se alastrar tanto.
Mas desde o Cansei de Ser Sexy, pelo menos, já existe um número razoável de artistas que chamam atenção com poucas músicas, em poucos meses, sem nenhuma "cena" por trás. E vocês já têm uns quatro anos de, digamos, "carreira". Isso não deixa vocês preocupados?
Putz cara, vou te falar uma coisa, às vezes isso nos deixa putos, de verdade. É f***, tem nego que põe um remix na Internet, uma faixinha com bateria eletrônica fuleira e já toca em festas e festivais que a gente tenta há anos, até no exterior e o escambau. Banda que vem do nada, amiga de produtorzinho X, artista Y, jornalista Z, e de repente esses caras estão com toda a atenção, sem nada pra dizer, nada! É f***... [Fica em silêncio] Nossa, soei muito perdedor agora, né?
Os Ecos Falsos têm alguma chance de ser um sucesso de verdade?
Putz... Acho melhor analisar essa questão por três lados: sucesso pessoal, sucesso de público e sucesso de crítica. Porque são coisas bem diferentes, convenhamos.
Certo [boceja], fale do sucesso pessoal.
No lado pessoal, que não é só o que nos interessa mas é o que interessa só a nós, a banda até que vai bem, ninguém depende dela pra viver, ela já não dá tanto prejuízo e a satisfação tem sido boa. Acho que já juntamos um pequeno público que, quando a tecnologia de tirar dinheiro das pessoas via música avançar, pode até nos sustentar razoavelmente, o que já seria extraordinário. Então pra isso a resposta é "sim".
E sucesso de público?
Daí eu sinceramente acho difícil, sempre nos imaginei meio como o Art Brut, na melhor das hipóteses um Pavement, ou extrapolando muito um Ultraje a Rigor, aquela banda que eventualmente pode roubar a cena por alguns instantes, mas cujo destino não é de protagonista mesmo. A gente também não colabora, não fazemos um som que o cara possa ouvir e dizer "ah, isso aqui parece Ramones, eu gosto", ou Blink-182, ou new rave, ou Los Hermanos, ou Beatles. É um som pra pessoas de bem que gostam de barulho e não se levam muito a sério. Talvez esse seja o problema, porque pra fazer sucesso no Brasil o sujeito TEM que se levar a sério. Pro nosso azar, nós temos essa inclinação avacalhada, até autocrítica, na linha do Monty Python, Frank Zappa, da ironia em geral - coisa que brasileiro odeia. Acho que os Mamonas Assassinas acabaram radicalizando o humor na música, hoje só dá pra contar uma piada se você estiver vestido de coelho, senão todos vão te levar a sério.
E sucesso de crítica?
Bom, quanto à crítica, admito que eu esperava que já fôssemos um sucesso maior a essa altura. Não que as críticas tenham sido ruins, pelo contrário até, mas é preciso admitir que não foi o furacão que eu estava sonhando. Então, resumindo tudo e respondendo à pergunta inicial, dá um "acho que sim", um "não" e um "hmm, acho que não", o que resulta em um "não, com ressalvas".
Caramba, você tem toda uma teoria sobre não fazer sucesso.
[Risos] Pois é, eu ficava formulando as idéias depois de cada um de nossos shows que não dava muito público. Como se vê, foram vários...
Cortesia da Bizz, 2008. Entrevista na íntegra.









3 comentários:
Estava eu borboleteando pelos Blog's alheio qdo avistei essa entrevista e resolvi postar rsrs.
[suspiro] Eu não creio que Ecos Falsos seja uma banda que não é conhecida, ao menos em Manaus (minha cidade) cerca de 4 entre 10 jovens da sena Hard Core, Indie Rock ou qualquer outro tipo de só mais leve curtem o som ou já ouviram falar dessa banda e ao menos 2 sabe cantar uma musica ou trecho se quer, Isto é o que eu vejo, entre a moçada do meu "meio", E se Ecos Falsos chegou aqui em Manaus que segundo o restante dos Brasileiros acham só tem índios, jacaré e cobra e como diz o comentário mais usado das más línguas é o cu do mundo, pq não chegará em qualquer outro lugar???
Observação, Manaus não é o cu do mundo; É o fim do cu do mundo, o cu do mundo é o Pará... E a castanha não é deles é da Amazônia, Pronto falei...
Que perdedor!
Hêêê! Vi o Gustavo no Jô e achei tri-legal! Muito interessante aquele assunto sobre rimas, acho que poucas pessoas estudam sobre isso. Uma coisa leva a outra; estou conhecendo o som de vocês, muito bacana, por sinal.
Abraço!
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